Não deviam mesmo ter largado “um líder ferido na beira da estrada”. Paulo Preto está se revelando mesmo o “homem-bomba” da campanha serrista. Hoje, o repórter Alencar Isidoro, da tucana Folha de S. Paulo, conta que “um dia após assumir a diretoria da Dersa responsável pelo Rodoanel, Paulo Vieira de Souza assinou uma alteração contratual na obra que deu liberdade para empreiteiras fazerem mudanças no projeto e, na prática, até usarem materiais mais baratos.”
Ou seja, o “não sei quem é Paulo Preto” foi a pessoa de confiança escolhida por Serra para mudar as regras do contrato de construção do Rodoanel, esbatelecidas ainda no Governo Geraldo Alckmin. Pois só isso explica que o engenheiro José Carlos Karabolad, até então diretor de Engenharia do órgão, ter se demitido dois dias antes, sendo imediatamente substituído por Paulo Preto que, apesar de não ter até o momento qualquer ligação direta com o projeto do Rodoanel, como gênio da engenharia que é, em apenas 24 analisou todas as implicações da mudança e a autorizou.
Todo mundo pode fingir que não tem nada a ver uma coisa com a outra, sair de fininho, assobiando, porque o simples bom-senso refuta a idéia de que possa ter sido mera coincidência. Até porque, para qualquer pessoa minimamente responsável, num contrato milionário como o do Rodoanel, sobre um projeto de engenharia complexo (só de viadutos, como aquele cujas vigas caíram, são 136!) não poderia ter liquidado o exame destas alterações em 24 horas, pois se tratava de substituir o preço por serviço específico executado – mensurável – por uma negociação de “pacote”, do tipo empreitada a preço fechado.
A própria Folha afirma que “a mudança contratual enfrentava resistência na estatal, tanto pelo aspecto jurídico como pela avaliação de que não evitaria mais gastos”.
Paulo Preto está doendo na cabeça de Serra mais, muito mais do que uma bolinha de papel.
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