Pesquisa mostra a candidata petista com 61% dos votos válidos do eleitorado no estado, enquanto o tucano José Serra aparece com 39%.
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| Dilma arrastou uma multidão hoje em BH nos bairros populares, Serra só foi na área nobre, a Savassi |
Isabella Souto -
Publicação: 30/10/2010 07:02 Atualização: 30/10/2010 07:32
Se depender da vontade dos mineiros, Dilma Rousseff (PT) será eleita presidente do Brasil neste domingo, com 49% dos votos totais – 17 pontos percentuais a mais que o adversário José Serra (PSDB), que tenta, pela segunda vez, se eleger para o cargo e teria 32% da preferência do eleitorado. No entanto, ainda é grande o número de eleitores indecisos no estado: 13%, o equivalente a mais de 1,8 milhão de pessoas. Ainda que o tucano conquistasse esses votos, não conseguiria mudar o quadro eleitoral em Minas Gerais. Na análise dos votos válidos, a diferença é ainda maior: 22% – Dilma aparece com 61% e o tucano, com 39%.
Os dados fazem parte da pesquisa realizada pelo Instituto EM Data com 1,1 mil eleitores entre os dias 27 e 29. Outra conclusão, a partir do levantamento, é que nem Dilma nem Serra conseguiram conquistar o voto de quem escolheu a senadora Marina Silva (PV) no primeiro turno das eleições – pelo menos, se comparados os números ao resultado das urnas em 3 de outubro, quando a petista recebeu 46,98% dos votos e o tucano 30,76%. Neste segundo turno, 7% declararam a intenção de votar nulo.
"Um quinto dos eleitores não foi conquistado por nenhum dos candidatos. Eles podem mudar de posição ou aproveitar o feriado e não comparecer às urnas. É bem provável que deixem para escolher o voto na última hora", opinou o cientista político e diretor do Instituto EM Data, Adriano Cerqueira. De acordo com a pesquisa, 32% de quem está indeciso decidiu qual seria seu voto, no primeiro turno, poucos minutos antes de votar: 9% deles na fila e 23% no momento de digitar os números. Entre os que declararam votar nulo, 14% decidiu na fila ou em frente à urna. Eles representam 4% do eleitorado.
De acordo com Adriano Cerqueira, o grande número de indecisos e votos brancos ou nulos – um total de 20% – pode ter como uma das explicações a realização de uma campanha que priorizou a troca de ataques entre os candidatos, em vez de apresentação de propostas para o país. Desde o início do segundo turno, os candidatos estiveram envolvidos em discussões sobre o aborto, privatização da Petrobras e envolvimento de aliados em corrupção ou atos ilícitos – assuntos que viraram temas das propagandas eleitorais e debates na televisão.
DEPENDÊNCIA Ter o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é importante para boa parte dos eleitores de Minas Gerais. Para 42% deles, a aliança com o petista aumenta em 42% as chances de votar em um candidato. O senador eleito Aécio Neves (PSDB) influencia o voto de 29% dos entrevistados. O pedido de Lula por votos não faz diferença para 48% dos mineiros que responderam ao questionário, enquanto o apoio de Aécio Neves é indiferente para 57%. "Isso mostra que Dilma é muito mais dependente do Lula que o Serra do Aécio", analisa Adriano Cerqueira.
Os cruzamentos regionais mostram que Dilma Rousseff tem a preferência do eleitorado em cinco entre as seis mesorregiões mineiras. A maior diferença é no Norte, Jequitinhonha e Mucuri, regiões mais carentes do estado e mais atingidas pelos programas sociais do governo Lula. Nesses locais, a petista é votada por 60% dos eleitores, quase três vezes mais que José Serra, apontado por 23%. O tucano lidera a pesquisa apenas nas regiões Sul e Sudoeste, onde tem a preferência de 47% dos eleitores, nove pontos percentuais a mais que sua adversária.
Curiosamente, Dilma tem mais votos entre os homens (54%) e Serra entre as mulheres (44%). A petista tem uma larga preferência entre os eleitores que têm até o ensino médio. Levando-se em conta aqueles que têm curso superior incompleto ou mais, os candidatos estão empatados tecnicamente: 38% a 35% para Dilma e Serra, respectivamente.
METODOLOGIA
O Instituto EM Data ouviu 1,1 mil eleitores entre o dia 27 e ontem. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 37.853/2010. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento contou com a consultoria técnica da Giga Consultoria Ltda.
PRIMEIRO TURNO
No primeiro turno, o EM Data fez três pesquisas: de 26 a 29 de agosto; de 19 a 21 de setembro e de 29 de setembro a 1º de outubro. A candidata do PT apareceu com 47%, 49% e 43%, respectivamente. Serra com 28%, 21% e 26%, e Marina Silva (PV) obteve 8%, 13% e 16% das intenções de votos nas três datas. Eleitores indecisos ou que votariam em branco eram 12%, 11% e 9%, enquanto os que não responderam ou que anulariam o voto somaram 4%, 4% e 5%, respectivamente.
Fonte: O Estado de Minas

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