No Jornal Nacional, na editoria política, ou há golpismo ou lobismo, jornalismo político que é bom passa longe.
Até as eleições imperou o golpismo. Passada as eleições, vimos manifestação explícita de lobismo, pelo menos por enquanto.
É razoável que uma primeira entrevista após as eleições com uma nova presidente eleita fosse mais leve (qualquer que fosse o eleito). O telespectador tem curiosidade sobre os próximos passos de como será o novo governo, e sobre a presidenta.
A Globo fez uma edição até razoavelmente simpática e sem truques, entrecortada com trechos biográficos e depoimentos de pessoas que conviveram com Dilma (mais ou menos como aqueles programas "esta é minha vida"), mas deu para ver na pauta da Globo, mais a tentativa de desfazer a imagem golpista e de ter feito campanha pró-Serra, do que informar ao telespectador.
Todo mundo se lembra da grosseria de William Bonner ao dizer que Dilma "tinha fama de maltratar seus colegas de trabalho", em entrevista durante a campanha. Bonner chegou a começar bater boca, dizendo que tinha gravação do presidente Lula dizendo que ela "maltratava colegas" em discurso público, como se o presidente tivesse dito a sério.
Hoje suavizaram. Tocaram novamente no assunto, mas eliminaram a palavra "maltratar". Apresentaram ela como uma pessoa com fama de durona, no sentido de exigente e rigorosa (o que deixou de ser crítica para virar elogio), e colocando as imagens do presidente Lula falando no assunto, mas com a narradora ressaltando que Lula falava em tom de humor.
Foi a forma da Globo querer consertar a grosseria que Bonner fez.
O resto teve um pouco de puxa-saquismo, e no fim teve o lobismo explícito. Bonner fechou a entrevista elogiando Dilma ter defendido no discurso de ontem a liberdade de imprensa.
A entrevista ao Jornal Nacional não foi a primeira de Dilma após eleita. Essa primazia a Globo não teve. A primeira entrevista da nova presidente foi no Jornal da Record, com menos lobby e mais jornalismo.
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